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Antes que eu me esqueça

Das ironias da vida, dos nós que ela dá nos nossos destinos, cabeças e corações, uma das sensações mais dualistas reside na seguinte situação: uma pessoa qualquer, a denominemos Maria, termina um relacionamento, dias depois descobre que não vive sem o outro, mas ele já está pegando uma fulaninha. Conto pelo que ouvi falar, dessas histórias de carochinha, passadas á diante por um amigo de um amigo de um amigo de algum amigo meu.
Maria sabe que o certo é aparentar que é superior, e que não liga.
Mas é inútil, algo na cara de Maria, no seu corpo, nos seus olhos, denuncia que na verdade ela só quer se descabelar, quebrar tudo, xingar o mundo inteiro, cometer homicídio, ou melhor, duplo homicídio, ou suicídio, e no fim, prende o choro enquanto pode, até estar em um lugar seguro, no colo das amigas queridas, pra desabar um mundo de água salgada, que lembra o saudoso mar á sair dos olhos.
Mas não deixa o amado (por quem agora, o sentimento de raiva parece superar em muito o amor) ver que está chorando, corre para o banheiro onde dá um jeito na cara de choro, e entra no lugar em questão (onde o desgraçado do amado lê com exagerada atenção um livro chato) com cara de superior, balançando o cabelo como quem estrela um comercial de shampoo.
Á princípio apoia o rosto nas mãos, e não consegue esconder a tristeza e a raiva crescente, que faz arrepiar o corpo todo, no entanto, ao deparar-se com o bom-humor do traidor, resolve que agora, querendo ou não, vai ser superior.
E Maria passa a rir dos casos dos amigos com notável empolgação, e um sorriso que ameaça rasgar-lhe a face.
O talzinho nem parece perceber, mas Maria conserva a suposta euforia. E vai embora, com cara de quem ganhou na Mega-Sena acumulada, 52 milhões.
Chega em casa com a cara de quem perdeu os 52 milhões, bem como a dignidade e o coração. E então desagua o oceano Pacífico inteiro, e ao diabo com El Niño.
E repete sem parar umas frases de auto-ajuda, que leu em um muro qualquer, redigindo a nota mental de que deve agradecê-lo pela genialidade se algum dia cruzar com tal pichador.
E então resolve, resolve que vai esquecer o desgraçado, que vai mudar de vida, e que ele vai, e ah se vai, comer em sua mão no futuro.
Maria exclui ele da agenda do celular, do msn, clica em “unfollow” sem dó, no twitter.
Graças ao bom Deus, amanhã é sábado, e Maria só quer ficar quieta em casa, vendo muito filme e comendo muito sorvete.
Segunda tem que ver a cara do cretino, infelizmente, mas o fará como se jamais houvesse sentido maior felicidade.
Ao cretino queridinho, que passe muito mal, que caia num buraco, e fique careca.

Eu tenho a força

Acredito eu que meu momento depressivo se encerrou, tão de repente quanto começou.
Relendo o post passado, tive vontade de apagar, mas não costumo jogar fora as coisas que escrevo, por piores que sejam, porque sempre trazem alguma coisa, que seja a lembrança de alguns sentimentos que já foram, há muito, superados.
Esses não foram totalmente, é verdade, só se tornaram um pouco mais digeríveis.
Agora, volta para mim o sentimento de posse da minha vida e das minhas escolhas, e talvez, onde eu pensei que tinha metido os pés pelas mãos, tenham sido minhas decisões mais acertadas, num momento de lucidez que sei lá de onde veio.
Se eu vou perder essa paz na próxima esquina? Sinceramente, só Deus sabe, e eu, relis mortal que sou, não ousarei tentar adivinhar o futuro,porque provavelmente não vai adiantar porcaria nenhuma.
Sei que hoje, e sobre amanhã não posso dizer, sinto que talvez eu possa ser quem eu quiser, que talvez eu possa cortar meu cabelo como quiser só porque me deu na cabeça, que talvez eu possa escrever o que eu quiser, onde eu quiser, na hora que bem entender, não ir bem no vestibular ou não ser o que querem que eu seja, e principalmente, posso ser livre, ainda que olhando para minha cara não se veja liberdade em lugar algum.
Se eu sou profunda demais?
Sei que sou, e isso não vai mudar. E ainda que eu venha falar de coisas banais, é provável que em algum ponto se iniciem minhas filosofias, mas é assim que eu sou.
No mínimo, me deixa feliz minha capacidade de poder me emocionar diante de uma flor ou um pôr-do-sol, que passam despercebidos pra tanta gente.
E este amor profundo que sinto pelas pessoas que estão do meu lado, meus pais, minha irmã, meus amigos, talvez seja um presente, ainda que algumas vezes me faça sofrer.
E talvez eu seja mesmo piegas, falando de amor e de flores, assistindo "Diário de um paixão" trinta milhões de vezes, enchendo meu ser de esperanças sobre o futuro e sobre a minha felicidade, e por que não? Sobre o amor.
Talvez eu seja ingênua, com as minhas idéias de igualdade.
Talvez eu seja uma escritora de quinta, que só escreve umas frases feitas, que só fala de coisas que parecem clichê, e que parece escrever um livro de auto-ajuda para si mesma.
Mas sabe de um coisa?
Eu posso ser.
P.S.: Fofos, consegui enfim criar um feed, ainda não sei se deu muito certo, porque, sinceramente, não entendo nadinha de computador.

O que não deveria ser dito

Ás vezes a vontade maior é fugir, é poder manter distância para tentar esquecer, é não ouvir músicas que façam lembrar ou fugir dos meios de comunicação que trazem a notícia de quem não se quer saber.
E na verdade, ao mesmo tempo, o coração remendado agradece por ter o mesmo rosto, ainda que distante, perpetuando-se e tatuando-se sempre mais fundo no peito, diariamente.
É o martírio cotidiano, alimento do eterno prazer de torturar-se, parte das nuances de amar.
Hoje, sua simples aparição faz o coração bater descompassado e a alma dá um nó de tanta dor.
Ainda que a vontade seja fugir, algo como um senso mórbido de dever, insiste em fazer sentir a dor no talo.
Se é assim que tem que ser, que seja.
Minha verdadeira opinião é que é mais que merecido para mim, que não sei amar direito.
E o coração cansado, parte-se mais uma vez, espera agora que os remendos possam ser feitos pelo senhor das desilusões, o tempo. E logo, será cicatriz visível, mas já indolor, uma entre tantas, lembrança de um tempo passado, de lágrimas perdidas, de felicidade que escoa pelos dedos e que irá encontrar-me mais á frente, no meu caminho, com certeza.

O que é bom é bom / Explicações

Amoras são boas.
Vento no cabelo é bom, vencer um desafio é bom, se sentir infinito é infinito.
Ler é bom, encontrar os amigos, apaixonar-se.
Fim de semana de provas é uma delícia, nadar e dormir, pastel na feira é infância.
Brigar, brigar e provar que você está certo, sofrer e chegar lá é bom demais.
Praia é tão bom.
Primo é tão bom.
Beatles é indescritível.
Ganhar cd é bom, ganhar livro é tão bom, ter crise de riso até doer a barriga é felicidade.
Tardes existencialistas de domingo são lentas, mas geralmente trazem uma boa reflexão.
Natal é bom.
Fim de ano é bom, começo do próximo nem se fala.
Pular sete ondas no ano novo é o primeiro passo para um ano melhor.
Férias são mais que esperadas.
Saudade morta é bom demais.
Pink Floyd pode ser um pouco psicodélico, e muito bom. Procurar em enciclopédias velhas é bom, livrarias são o prazer da alma, biblioteca enorme e de qualidade vai além de explicações.
Livros de crônicas são tão bons.
Luís Fernando Veríssimo é tão leve, feliz, divertido e bom.
Perfume é bom. Perder aula de história é a realização da mente.
Terminar um dia cansativo é bom.
Descobrir música nova e boa é bom.
Rir no telefone é bom. Rir é sempre bom.
Calça jeans caindo é bom demais.
Ter um cachorro é bom. Passear com o cachorro e ver gente bonita é bom.
Superar suas limitações é transcendental.
Comer besteira, cinema, brigadeiro, "O casamento do meu melhor amigo" é tão bom!
Filme é sempre bom.
Escrever o que vem na cabeça é bom. Escrever o que é bom? É bom demais.

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Sei que ando um pouco ausente daqui, mas é que minha inspiração e tempo andam poucos, minha cabeça anda uma bagunça, minha paciência anda esgotada. Espero poder voltar á normalidade em breve.
Me lembrei de uma música agora, "Oração do tempo", deixo o vídeozinho aí para vocês.








video

Selo



Esse selo, representa a qualidade e o potencial que o blog possui, ao ponto de instigar e fazer a pessoa voltar, só para ler mais alguma linha...
*Ando um pouco sem tempo, então não vou indicar ninguém, mas gosto muito de todos os blogs que acompanho e sempre volto para ler mais um pouquinho. Sintam-se á vontade para pegá-lo.





Hosana, muito obrigada pelo selo, amei demais este, como você mesma disse, uma honra recebê-lo, muito obrigada mesmo!

Nota sobre notas


Andava na rua, sem objetivo, sem lugar pra ir, os horários havia abandonado há dias, andava agora para ver a rua, para ver os postes, os carros,para ver os cachorros que passeavam com seus donos, as pessoas que andavam distraídas demais com seus destinos.
Não tinha lugar pra ir, resolveu voltar a um lugar que já fora seu, aquele bairro antigo, naquela casa antiga, onde vivera em sua infância e adolescência.
No caminho lembrava das bonecas, do corpo que ia mudando, da hierarquia do colégio (na qual ocupava uma camada social bem baixa, com certeza), das espinhas, dos amores, das lágrimas.
Mas algo a fez parar.
De uma casa muito antiga, saíam notas de um piano desafinado, tocadas assim tão desconcertadamente, mas de forma tão sentida, que não pôde não parar e ali se quedar por um instante.
Não era um sinal dos céus, não era uma mudança repentina de vida, e nem mesmo dos conceitos do mundo, aquilo provavelmente não significava nada, talvez fosse uma criança aprendendo a tocar piano, talvez fosse um velho com os dedos enferrujados e enrugados, e tudo poderia ter passado despercebido se naquele momento a alma não estivesse atenta às mazelas do mundo.
Eram apenas notas, que talvez nem compusessem algo bonito.


Pedacinhos de plástico-felicidade

Olhou uma última vez, não exatamente a última, mas a última daquela forma, para aqueles olhos verdes.
Fora feliz, estragara tudo, evitara a dor que agora vinha toda de uma vez, e por fim aceitara.
Fosse errado, fosse certo, não tinha mais volta, agora era hora de se despedir.
No meio de tanta gente, que dançava, e passava de lá pra cá, os namoradinhos que trocavam sussurros nos cantos, alguns copos suspeitos pareciam conter algo além de suco de groselha, as pessoas iam se balançando ao som daquela música de péssima qualidade, mas que fazia os pés mexerem quase que involuntariamente, olhavam-se de longe, naquele eterno abismo que há entre duas pessoas que já se conheceram até o último fio de cabelo, e que de certa forma ainda se conhecem, mas que parecem agora estranhos.
Sentiam-se despedaçados.
Em um certo momento, cansada de fingir, daquela música ruim e das pessoas embriagadas, foi até a varanda, num canto isolado, onde o vento gelado fazia seus cabelos voarem e traziam uma sensação de calma, mas ao mesmo tempo davam mais clareza pra pensar, o que nos últimos tempos ela evitava fazer.
De repente sentiu um braço contra o seu.
Era ele lá, sorrindo, com aqueles olhos sempre sorridentes, que agora carregavam um fundo de tristeza escondida.
Ele trazia um daqueles colares estilo havaiano dado na pista de dança nas mãos, feito com pedacinhos de um plástico fininho, verde e brilhante.
Começou a despedaçá-lo e jogar os flutuantes e brilhantes pedacinhos de plásticos ao vento e contra a luz da rua. Ela logo pegou a outra ponta e começou a fazer o mesmo.
Um último ato compartilhado, eles voavam como vagalumes, e pareciam refletir a cor dos olhos dele, pareciam voar como que levando os momentos de felicidade e inocência que tinham vivido embora.
Os olhos dela se encheram de lágrimas, mas não derramou nenhuma. Não queria chorar na frente dele, só queria que aquele momento durasse para sempre, pois sabia o que seguiria. Por isso não disse nada, pois uma palavra dita seria o suficiente para fazer tudo se esvair em realidade.
Mas então ele quebrou o imaculado silêncio. "Acabou, não é?"
A resposta ficou para a noite.
O táxi dela estacionava na rua lá em baixo, acabara a festa, acabara a inocência, acabara tudo que construíram juntos, mas ao descer as escadas e finalmente chegar á rua, pode segurar um daqueles floquinhos verdes e brilhantes de felicidade nas mãos, antes de ir.